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METALÚRGICOS E METALÚRGICAS DA GRANDE CURITIBA APROVAM MOÇÃO DE REPÚDIO À SOLTURA DO ESTUPRADOR ROGER ABDELMASSIH

Reunidos, os líderes do sindicato condenaram à libertação do ex-médico para cumprir o resto da pena em regime domiciliar

Em assembleia realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), na noite de quinta-feira (29), trabalhadores da categoria aprovaram moção de repúdio à soltura do ex-médico Roger Abdelmassih, condenado a 181 de prisão por estuprar as próprias pacientes, para cumprir o restante da pena em casa.


Confira a íntegra da moção de repúdio:

Moção de repúdio dos metalúrgicos da Grande Curitiba à soltura do estuprador Roger Abdelmassih

Nós, metalúrgicos e metalúrgicas da grande Curitiba, representados pelas lideranças do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC), tornamos público nosso repúdio à soltura, por meio de decisão judicial 1ª Vara de Execuções Penais de Taubaté-SP, do ex-médico Roger Abdelmassih, o qual estuprou as próprias pacientes. Em nosso entendimento, constitui grave equívoco a liberação deste condenado, réu confesso, para cumprir pena em regime domiciliar. Isso representa não só um retrocesso ao caminho trilhado rumo a um Brasil mais justo, mas também amplia o sentimento de impunidade que permeia, há muito tempo, a vida dos trabalhadores e cidadãos que movem este País.

Na condição de representantes de milhares de trabalhadores das indústrias metalúrgicas, que acreditam ser possível construir um Brasil melhor por meio da união e da representação organizada, não poderíamos nos omitir diante dessa colossal injustiça. Abdelmassih é um criminoso convicto e que nunca sequer demonstrou qualquer sinal de arrependimento, conforme provas cabais que integram os autos de seu processo judicial. Pelo contrário, insultou as vítimas e assumiu a consciência de todos os atos.

Mais do que uma falha, retirar de trás das grades um estuprador confesso é um retrocesso na história da luta das mulheres, que, ao longo das últimas gerações, dedicaram as próprias vidas para conquistar direitos como o voto e de ocupar espaços que não lhes eram permitidos. Ir contra essas conquistas é barrar uma evolução que vem sendo construída há décadas, a duras penas, no Brasil e no Mundo.

A indignação diante dessa soltura não é apenas nossa: é do cidadão brasileiro e também do Ministério Público, que apoiado no seu papel essencial na busca pela Justiça, já trabalha para tentar reverter à situação. O órgão, assim como nós, não vê a idade avançada do ex-médico como um impedimento para se cumprir a pena que lhe foi imposta. Se durante toda a vida a consciência dos atos nunca faltou, não será agora, com 73 anos que faltará. Fez e terá que pagar, até o último dia dos 181 anos de condenação, se assim fosse possível.

Cumpre destacar ainda que, além de moralmente deplorável, a soltura que enseja essa Moção de Repúdio é juridicamente frágil, uma vez que o condenado sequer cumpriu pena suficiente para uma progressão de regime. Lembramos também que o estuprador já foi colocado em liberdade enquanto aguardava o recurso da sentença e usou deste benefício para fugir do País, sendo encontrado apenas três anos depois, no Paraguai, vivendo em uma luxuosa mansão.

Também não há qualquer enfermidade que impeça o ex-médico de pagar pelos seus crimes. Provas sólidas do Ministério Público mostram que a doença de Abdelmassih foi forçada pela proposital atitude de interromper o consumo do remédio necessário. Não é justificável, portanto, conceder o benefício de cumprir prisão domiciliar.

Uma decisão como essa, incompreensível para qualquer ser que busca a Justiça, abre precedentes perigosos. Não podemos permitir que a parcela criminosa sinta-se confiante para reverter suas penas e que as vítimas e suas famílias permaneçam injustiçadas, sem qualquer garantia de que vivem em uma sociedade segura.

Repudiamos, portanto, essa soltura de Abdelmassih e toda e qualquer outra que tenha seguido as mesmas premissas, assim como equívocos desta estirpe que ainda possam vir a ser cometidos. Conclamamos também a todos os brasileiros que se unam a nós, para que nosso repúdio se reverbere ainda mais e que possamos, juntos, construir uma sociedade mais igualitária e calçada nos bons princípios da Justiça.


Curitiba, 30 de junho de 2017
 

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