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Montadoras e empresas químicas e têxteis produzem insumos hospitalares

De acordo com matéria do jornalista Vinicius Torres Freire, publicada no Jornal Folha de São Paulo, a partir de meados de abril, pode começar a faltar ventilador, o equipamento que sustenta a respiração dos doentes críticos de Covid-19, com pulmões devastados pela doença. A Itália passou por essa situação: sem o aparelho, um paciente crítico, em tratamento intensivo, perde a vida.

A reportagem apurou que a produção pode aumentar para até 4.800 ventiladores por mês, diz governo federal. O governo paulista afirma que números podem aumentar para 3.000. As projeções se baseiam no estoque conhecido de equipamentos até o início do ano. Mais estão a caminho.

Segundo avaliações do governo federal, de estados e de engenheiros e executivos da área, até fins de março eram produzidos cerca de 1.000 ventiladores por mês pelas quatro maiores empresas do setor, que fazem o grosso da produção local (Magnamed, Intermed, KTK e Leistung).

O governo federal estima que o país precisará de 12 mil a 15 mil aparelhos extras nos próximos três meses, apenas. Faltariam uns 10 mil equipamentos, pois. O governo paulista estima, por ora, que precisará de 3.000 a 4.000 extras.

Segundo o governo federal, a produção pode aumentar progressivamente para até 4.800 aparelhos por mês, entre maio e junho. Segundo o governo paulista, a 3.000, mas em meados de maio, na hipótese mais otimista.

Antes da epidemia, o Brasil tinha cerca de 61 mil ventiladores em operação. Não há estatística sobre o aumento recente do número. Caso a taxa de pacientes em situação crítica, precisando de UTI ou pelo menos de ventiladores, seja de 5% dos casos conhecidos, 3.000 ventiladores novos em um mês poderiam suportar uma população de 60 mil doentes confirmados.

Atendendo a pedidos dos governos ou por iniciativa própria, empresas diversas colaboram com firmas tradicionais —oferecem engenheiros, equipamentos e peças, a fim de aumentar a produção.

“O Ministério da Saúde define qual é a demanda, as compras, o planejamento. Outros órgãos do governo tentam articular empresas e instituições para atender a essa demanda. Desse trabalho tiramos essa estimativa inicial, baseado em possibilidades concretas de produção, importação de insumos, regulamentação”, diz Gustavo Ene, secretário do Desenvolvimento, Indústria, Comércio, Serviços e Inovação da Secretaria Especial de Produtividade do Ministério da Economia.

Empresas como Mercedes, Bosch, WEG, Flextronics, GM e Fiat colaboram com engenharia e parte da produção de peças, com o que auxiliam o aumento de produção de empresas estabelecidas no ramo de ventiladores (ou o fazem até com produção própria).

Além disso, outras empresas podem entrar no ramo. Duas novas, uma no Rio Grande do Sul e outra em Minas Gerais, desenvolveram equipamentos; a mineira já deve testar o seu na semana que vem.

Engenheiros da USP e da UFRJ estão com projetos em fase final, avaliados como realistas pelos governos paulista e federal e com empresas dispostas a fabricá-los. A vantagem deles é que dependem menos ou em nada de peças e partes importadas. Segundo o governo paulista, há 30 projetos na fila, 28 de novas empresas ou universidades. Segundo o governo federal, as novas empresas poderiam produzir cerca de 4.000 aparelhos em três meses.

A importação de peças é um problema, pois há escassez mundial e disputa entre governos pela produção restante, embora não seja esse o único empecilho. Várias empresas envolvidas nessa nova cadeia produtiva têm problemas financeiros.

O governo federal tenta importar mais aparelhos. De resto, montadoras de automóveis, fabricantes de máquinas e equipamentos e o Senai tentam consertar cerca de 3.700 ventiladores fora de serviço.

O esforço de conseguir aparelhos extras vai ser suficiente? Depende da velocidade da epidemia em cada região do país, para começar. As projeções são ainda díspares.

Técnicos do governo paulista estão para concluir estudo mais preciso. “Como vai ser o ritmo em São Paulo? Se for como nos países europeus, precisaremos de uma tal quantidade de equipamentos. Se for como nos EUA, vamos precisar do triplo”, diz Patrícia Ellen da Silva, secretária de Desenvolvimento Econômico do governo paulista, integrante da comissão de monitoramento do impacto econômico da Covid-19 do governo paulista.

Patricia diz que o governo paulista tomou medidas precoces de isolamento, em vigor no nono dia depois da transmissão comunitária. “Foi mais cedo que em grandes países europeus, que, no entanto, depois foram mais estritos. Aqui, temos cerca de metade da população circulando, é bom esclarecer, para evitar os tantos equívocos da discussão sobre isolamento”.

Especialistas dizem que a capacidade de atender doentes críticos depende também da capacidade de se diminuir a ocupação de leitos de UTI por outros pacientes. Pode ser difícil.

José Roberto Ferraro, professor de cirurgia e superintendente do Hospital São Paulo, tem 76 leitos de UTI para adultos, dos quais reservou 35 para doentes de Covid-19, 24 já ocupados até sexta-feira, quando falou à Folha. Contava 66 casos de Covid-19, confirmados ou possíveis, e 9 mortos. “Somos um hospital público, de porta aberta. Chegam pessoas infartadas, com AVC ou acidentados graves. Precisamos cuidar de todos”.

Ferraro diz que pretende comprar mais 24 respiradores (para chegar a 171), por R$ 63 mil cada, e abrir mais 10 leitos de UTI nos próximos dias, mas não sabe do que mais ainda vai precisar. “O planejamento agora é para uma semana. A situação muda a cada dia. Os doentes chegam agora em estado mais grave. Nossos casos de UTI são de 14 dias, pelo menos. Estamos recapacitando médicos para atender doentes de Covid, mas demora mais para retreiná-los como intensivistas. Estamos tentando contratar, também.”

O hospital chegou a abrir campanha de doações até para obter álcool em gel, agora fornecido por unidade da própria Unifesp, à qual o HSP é ligado. “Agora, nosso orçamento estourou, com o aumento do consumo de materiais e dos preços, que subiram 10 ou 30 vezes, para alguns itens. Estamos atrasando e renegociando contas para enfrentar a crise, não podemos evitar”.

Ferraro explica que mais testes poderiam auxiliar os hospitais, que poderiam utilizar com mais eficiência os recursos. O médico também pede aumento da produção de equipamentos. Segundo o governo federal e paulista, empresas têxteis e químicas devem sanar parte das deficiências.

Fernando Pimentel, da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit), conta que várias firmas do setor estão convertendo capacidade para a produção de máscaras cirúrgicas.

“Podemos fazer centenas de milhões. Sabemos fazer, claro, e existe matéria prima aqui. O problema é com as N95, de produção muito mais complexa. Um insumo essencial é importado e há corrida mundial. Mas também estamos tentando desenvolver, rapidamente”, diz Pimentel.

Indústrias químicas e de cosméticos, por sua vez, desenvolveram substituto para o carbopol, que faz o gel do álcool em gel, de produção praticamente limitada a uma grande empresa no país. Criaram um espessante alternativo. Álcool não falta no país.

Fonte:Força Sindical

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