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Mesmo com ação truculenta da PM, metalúrgicos da Brose continuam mobilizados por acordo salarial justo

Os metalúrgicos da Brose, multinacional de autopeças situada em São José dos Pinhais, entraram nesta quarta-feira, 4 de fevereiro, no 8º dia corrido de greve pelo Acordo Coletivo de Trabalho (ACT-2026).

A continuidade do movimento grevista, iniciada no dia 28 de janeiro deve-se a falta de diálogo por parte da empresa com o Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) para negociar uma proposta de Acordo Coletivo de Trabalho a altura das empresas do setor, focado em melhores condições salariais e benefícios.

Além deste entrave, os trabalhadores enfrentam junto com os diretores do SMC a repressão da Policia Militar, que nesta manhã, conforme imagens registradas na frente da empresa, agiu de forma truculenta com prisões e gás de pimenta. Uma ambulância precisou ser acionada para atender as pessoas que foram atingidas pelo agente inflamatório que causa cegueira temporária, dor, tosse e falta de ar.


Sem assembleia

A repressão da PM também foi marcada pelo impedimento da realização da assembleia do Sindicato na porta de fábrica.


Pauta de reivindicação

Atualmente, os trabalhadores da empresa recebem aproximadamente R$ 2.500,00. Vale-mercado de 500 reais e não possuem PLR (Participação de Lucros e Resultados). As reivindicações dos funcionários consistem em negociar correção salarial pelo INPC + 2,5% de aumento real, equiparar vale-mercado às empresas do seguimento, discutir jornada de trabalho e implantação de PLR, um benefício já tradicional na categoria.


Diálogo e avanço

Enquanto a Brose se nega há anos negociar o justo para os empregados, a maioria das empresas do setor de autopeças de São José dos Pinhais tradicionalmente já negociam com os diretores sindicais o Acordo Coletivo de Trabalho, beneficiando milhares de trabalhadores e famílias. Veja alguns exemplos abaixo.

Pirelli
•    Reajuste salarial: 6%;
•    Reajuste no vale-mercado: Sobe de R$ 700,00 para R$ 1.080,00 (VM adicional de R$ 1.000,00);
•    PLR: R$ 22.100,00 (100% das metas).

J-Tekt 
•    Reajuste salarial: 6%;
•    Vale-mercado: R$ 1.170,00; 
•    PLR: R$ 17.000,00 (100% das metas) / R$ 10.000,00 de primeira parcela fixa.

Adient
•    Reajuste salarial: INPC + 1% de aumento real 
•    Vale-mercado: R$ 1.080,00;
•    PLR: R$ 17.100,00 (100% das metas);
•    Abono: R$ 5.000,00.

O Diretor Executivo do Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba, Ezequiel Romão conta mais sobre essa situação “As autopeças da região estão pagando perto de R$ 3.400,00 para funcionários iniciais, enquanto a Brose só reajustou o salário para aproximadamente R$ 2.500,00. É um absurdo! As outras empresas pagam 1000 reais a mais”.


Com trabalhadores em greve, Brose começa a contratar ilegalmente trabalhadores temporários visando enfraquecer movimento

Tentando desmobilizar os trabalhadores, a Brose, segundo relatos, começou a praticar atos antissindicais. Assédio, pressão e a tentativa de utilizar a polícia militar para desmotivar os trabalhadores tem sido constante, porém, revoltados os trabalhadores se mantem firmes a luta.  Agora a empresa dá mais um passo rumo a ilegalidade passando a contratar trabalhadores temporários por apenas R$ 1.900,00. O Sindicato já acionou seu jurídico para denunciar a empresa à justiça.


Trabalhadores seguem firmes na luta por mais respeito e dignidade esperando o bom senso da Brose.

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