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Pandemia da Covid-19: Trabalho e Saúde Docente | Revista Universidade e Sociedade

EDITORIAL: “Bertolt Brecht escreveu, nos prenúncios do nazifascismo, que “quem, nos dias de hoje, quiser lutar contra a mentira e a ignorância e escrever a verdade deve ter a coragem de escrever a verdade, embora ela se encontre escamoteada em toda parte; a inteligência de reconhecê-la, embora ela se mostre permanentemente disfarçada; deve entender da arte de manejá-la como arma; deve ter a capacidade de escolher em que mãos será eficiente: deve ter a astúcia de divulgá-la entre os escolhidos. Estas dificuldades são grandes para os escritores que vivem sob o fascismo”.

O ANDES-SN, através de suas publicações, vem tentando realizar esta grande tarefa há 40 anos e hoje, mais do que nunca, no Brasil, escrever e divulgar a crítica aos negacionismos é nossa principal tarefa, como sindicato de professores e como produtores e divulgadores da ciência e do conhecimento. A responsabilidade política que pesa sobre os ombros de
pesquisadores/as, escritores/as e cientistas nesta conjuntura de negação da ciência, do obscurantismo, fundamentalismo neopentecostal, fake news e retrocessos no campo das políticas sociais é enorme e necessária.

Por esta razão, este número da nossa revista traz muitas novidades. Comecemos pela mais alegre: o ANDES completa quarenta anos vividos intensamente, no calor da luta. A novidade imposta pela conjuntura política e sanitária é a impossibilidade de cumprir com o calendário regular de lançamento das revistas, entre Congressos e CONADs.

Para dar continuidade à regularidade da publicação da revista, a diretoria optou por lançar este número em janeiro de 2021, tendo em vista a indefinição sobre o cenário da COVID-19. Dessa forma, mantemos a periodicidade semestral da revista e aguardamos uma oportunidade para o lançamento presencial quando tivermos condições para a realização de eventos presenciais do ANDES-SN. Aponte-se também que o mesmo grupo de editores/as executivos/as, da mesma diretoria, fizeram cinco revistas, enquanto o normal seria quatro. Tudo isso tem diretamente a ver com o momento de pandemia que vivemos sofridamente e que mudou não apenas o funcionamento do nosso sindicato, que está trabalhando remotamente desde março de 2020, mas também a vida cotidiana de milhões de brasileiros. Para os/as docentes, técnicos/as e estudantes, as universidades públicas instituíram o ensino também remoto, em condições mais precárias, como o próprio nome diz: emergencial e, esperamos, temporário.

O tema deste número, portanto, está diretamente vinculado ao que vivenciamos em nosso cotidiano. Estamos trabalhando muito e estamos adoecendo também, não só por causa da Covid-19, mas pelo tanto que precisamos fazer para garantir um mínimo de qualidade, acolhimento, cuidado aos/às estudantes e às suas famílias, juntamente com as lutas diárias que nos são apresentadas.

Os artigos deste número apontam nesta direção. Começamos passando pela crise sanitária, aliada às consequências da pandemia pela Covid-19 no contexto da crise do capital e pela constante tentativa do governo de destruir não só a educação pública, mas também pela imposição do ensino remoto que nega a importância do tripé ensino, pesquisa e extensão,
além da percepção das desigualdades que permeiam as condições nas quais sobrevive a maioria dos/as nossos/as estudantes e técnicos/as.

Os/as docentes sofrem ao perceberem que os/ as estudantes trabalhadores/as assistem às aulas no celular, depois que saem do trabalho, no transporte público, a caminho de casa, como pontua o artigo que trata da falácia que é o ensino remoto. Em meio a tantas crises, não falta a esperança que aparece nos artigos subsequentes, que tratam – desde a teoria de Paulo Freire e direitos humanos – do sindicato visto pelo olhar dos/as docentes até a extensão e a gestão democrática.

Este número é o último que a diretoria do biênio 2018/2020 produziu. Fica o respeito e a singela homenagem que fazemos a todos/as os/as colaboradores/as – pareceristas, docentes, estudantes, técnicos/as e funcionários/as do sindicato – que, em condições tão adversas, contribuíram com esta forma de dizer a verdade.

Continuaremos resistindo e lutando!”

Fonte:Abet

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